Segunda-feira, Março 15

Deusas do Cotidiano

Queridos amigos, o poeta mineiro Sérgio Vaz nos presenteou com esta pérola em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Fiz questão de apresentá-lo nos shows que participei neste final de semana. Abraços!

Deusas do cotidiano – Sérgio Vaz


“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.”

O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.

Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos. É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.

Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei.

Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.

Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha. São as habitantes do inferno de Dante.

Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia. Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.

Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia. Em flores quando rastejam, em espinhos quando protegem.

Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.

Riscam papéis, limpam máquinas e consertam crianças que nascem com o sonho quebrado.

São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.

E riem quando suam sob lágrimas e sangram o perfume da violeta impune estampada no rosto, que de rosa, não tem nada.

Sim, são as deusas do dia a dia.

5 comentários:

marcio disse...

Ei Fabiana, ono consigo seu dvd?

M.M. disse...

Uma beleza ! Um beijo do jacaré !

renatobr disse...

BOA NOITE!

Pô... acabei de chegar do Show aqui no RJ... Gostei bastante mas saí frustrado. FABIANA NÃO CANTOU CANTO DE OSSANHA.

Pedi, mas ela não cantou...disse não ter ensaiado. Vez ou outra aparece no site do Rival que Fabiana vai se apresentar lá e na hora H não rola o show.

Ela até comentou na hora que cantava essa canção no Trapiche Gamboa, mas eu nunca fui a este lugar, e muito menos vi Fabiana aqui no RJ. Saí de casa com esse propósito! C.O. foi a música pela qual conheci o trabalho de Fabiana, foi a canção que mais me chamou a atenção...

Fiquei com a sensação de ter ido ao Vaticano e não ter visto o Papa. O melhor da festa, para mim, infelizmente, não aconteceu.

Enfim, aguardei várias dias pelo tão sonhado show no qual assistiria Fabiana Cozza ao vivo, e o Canto de Ossanha não foi entoado.

Gostei do show, Fabiana é uma cantora do primeiro time como Bethânia, Alcione e Simone mas fiquei com água na boca.

Amplexo.

Renato Sant´Anna.

brupurambussa disse...

Saudades!!
Beijocas em vc!!!!
Adriana

Yara Verônica Ferreira disse...

olá Fabiana, ontem fui com amigos ver o show do Sesc Pompéia. Lógico que todos amaram. Deixei um posto no meu blog. Avisa ao Douglas que quero falar com ele. Uma entrevista eu diria, por favor.
http://degustadoradepalavras.blogspot.com/