Queridos amigos, o poeta mineiro Sérgio Vaz nos presenteou com esta pérola em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Fiz questão de apresentá-lo nos shows que participei neste final de semana. Abraços!
Deusas do cotidiano – Sérgio Vaz
“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.”
O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.
Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos. É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.
Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei.
Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.
Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha. São as habitantes do inferno de Dante.
Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia. Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.
Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia. Em flores quando rastejam, em espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
Riscam papéis, limpam máquinas e consertam crianças que nascem com o sonho quebrado.
São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.
E riem quando suam sob lágrimas e sangram o perfume da violeta impune estampada no rosto, que de rosa, não tem nada.
Sim, são as deusas do dia a dia.
Segunda-feira, Março 15
Sexta-feira, Março 12
Novo site, futebol, comidinhas, samba, amigos e afins...
Não sabia que gostava tanto de futebol como tenho descoberto há alguns anos. Sou capaz de passar noites assistindo a jogos de quaisquer equipes por puro prazer de ver a bola rolando no gramado e assistir a paixão da torcida, a dança dos jogadores, a ira dos técnicos. Sou "Galo" (Atlético MG) e me apaixonei pelo time por sua torcida e meus amigos mineiros. Em 2006 os atleticanos lotaram o Mineirão na final do campeonato estadual pela Série B. A outra parte da torcida que não conseguiu ingressos foi para o estádio Independência e assistiu o jogo inteiro por um telão com a mesma "loucura" dos que estavam no Mineirão. Esta é uma das histórias do "universo futebolístico" que acho genial e bastante ilustrativa dessa paixão que temos por este esporte.
Há outros motivos que justificam hoje meu amor pelo futebol. Quando ainda exercia a carreira de jornalista fui escalada para cobrir uma coletiva de Pelé, quando este foi fazer exames de rotina e sofreu um pequeno problema cardíaco. Alarde na imprensa. Todos corremos para o Hospital do Coração, na Vila Mariana, onde, em um dos andares estava internado o Rei. A assessoria de imprensa do hospital confirmou a coletiva para os mais de 30 jornalistas que brigavam por espaço entre equipamentos de câmeras, microfones, spots, rádios.
"Pelé vai falar", era a ordem do dia. De repente o alvoroço. Ele estava no corredor. A imprensa aglomerou-se próxima à mesa onde ficaria o craque. Os seguranças pediam espaço. O paciente José Arantes do Nascimento entrou sentado numa cadeira de rodas com o rosto inchado. Acenou para todos e abriu seu sorriso largo desejando "bom dia a todos". Imediamente, como uma onda humana dentro do estádio, aplausos fervorosos para aquele que nos tirou muito fôlego com suas jogadas, nos confortando em seguida com seus gols de mestre. A cena ainda hoje é indescritível. A comoção foi geral. Eu nunca havia visto Pelé tão de perto e tão fragilizado. Estávamos todos fragilizados naqueles minutos.
Sua primeira fala: "Eu tenho 3 Corações".
Fim de jogo. O peito de todos com certeza aliviou e o marcador saiu do zero. O Rei estava ali, muito vivo.
Enfim amigos... esta é uma das histórias que gostaria de contar. Publicarei textos no site novo sobre assuntos que me interessam, divertem e me dão prazer: futebol, comida, samba, viagem e amigos. Espero que gostem.
Criar este novo espaço é obra dos meus parceiros da EOU Agência de Marketing Direto (http://www.eou.com.br/) coordenados, para esta empreitada, por meu amigo Eduardo Rodrigues, criador do personagem Tulípio e torcedor fervoroso do Juventus.
Abraço a todos e bom final de semana!
ps1: Amanhã, às 18h, tem Coral Luther King e eu no foyer do Auditório do Ibirapuera.
ps2: E tem também Sesc Pinheiros com o Monarco da Portela. Sáb. às 21h e Dom. às 18h
Eu e Karú Torres, minha irmã, no Mineirão. Gaaaaaaaaaaaaallllooooooooooo!!!
Há outros motivos que justificam hoje meu amor pelo futebol. Quando ainda exercia a carreira de jornalista fui escalada para cobrir uma coletiva de Pelé, quando este foi fazer exames de rotina e sofreu um pequeno problema cardíaco. Alarde na imprensa. Todos corremos para o Hospital do Coração, na Vila Mariana, onde, em um dos andares estava internado o Rei. A assessoria de imprensa do hospital confirmou a coletiva para os mais de 30 jornalistas que brigavam por espaço entre equipamentos de câmeras, microfones, spots, rádios.
"Pelé vai falar", era a ordem do dia. De repente o alvoroço. Ele estava no corredor. A imprensa aglomerou-se próxima à mesa onde ficaria o craque. Os seguranças pediam espaço. O paciente José Arantes do Nascimento entrou sentado numa cadeira de rodas com o rosto inchado. Acenou para todos e abriu seu sorriso largo desejando "bom dia a todos". Imediamente, como uma onda humana dentro do estádio, aplausos fervorosos para aquele que nos tirou muito fôlego com suas jogadas, nos confortando em seguida com seus gols de mestre. A cena ainda hoje é indescritível. A comoção foi geral. Eu nunca havia visto Pelé tão de perto e tão fragilizado. Estávamos todos fragilizados naqueles minutos.
Sua primeira fala: "Eu tenho 3 Corações".
Fim de jogo. O peito de todos com certeza aliviou e o marcador saiu do zero. O Rei estava ali, muito vivo.
Enfim amigos... esta é uma das histórias que gostaria de contar. Publicarei textos no site novo sobre assuntos que me interessam, divertem e me dão prazer: futebol, comida, samba, viagem e amigos. Espero que gostem.
Criar este novo espaço é obra dos meus parceiros da EOU Agência de Marketing Direto (http://www.eou.com.br/) coordenados, para esta empreitada, por meu amigo Eduardo Rodrigues, criador do personagem Tulípio e torcedor fervoroso do Juventus.
Abraço a todos e bom final de semana!
ps1: Amanhã, às 18h, tem Coral Luther King e eu no foyer do Auditório do Ibirapuera.
ps2: E tem também Sesc Pinheiros com o Monarco da Portela. Sáb. às 21h e Dom. às 18h
Eu e Karú Torres, minha irmã, no Mineirão. Gaaaaaaaaaaaaallllooooooooooo!!!
Adeus a Glauco
A morte do cartunista Glauco e de seu filho Raoni foi mais um tiro que tomamos da violência em nossa cidade.
Aplausos para a obra deste artista genial cuja obra e seus personagens me fizeram (e fazem) tão bem: Dona Marta, Geraldão, Casal Neuras, Geraldinho e outros.
Aplausos para a obra deste artista genial cuja obra e seus personagens me fizeram (e fazem) tão bem: Dona Marta, Geraldão, Casal Neuras, Geraldinho e outros.
Impressões num programa de TV...
Ela estende-lhe as mãos ao piscar de olhos dele. Ele só sorri e manca. Ela, 35. Seus olhos, 60. Ele, 37. Seus olhos, 23. A leucemia o abateu há quatro anos numa cama de hospital onde ficou dias e dias e dias e noites inteiras. Ela guardou seu vestido de noiva e acordada passou noites e noites e noites. Sua tez branca expõe as rugas que cravam-lhe o rosto. Deixou seu trabalho, seus estudos e repete: "eu te amo", "eu te amo", "eu te amo". O coração amargo, inconsolável, descrente. Joana sangra muito.
Jorge caminha com dificuldade e tem duas companhias: a bengala e o braço de Joana. Foi acometido por um AVC durante o tratamento da leucemia ainda no hospital.
Na televisão, a apresentadora pede para que conte a sua história. Ao meu lado, ela diz tudo num fôlego só. Sentado como expectador, Jorge ouve e lamenta, pede desculpas e chora a menina que desejou há 13 anos e que hoje é uma senhora.
Jorge caminha com dificuldade e tem duas companhias: a bengala e o braço de Joana. Foi acometido por um AVC durante o tratamento da leucemia ainda no hospital.
Na televisão, a apresentadora pede para que conte a sua história. Ao meu lado, ela diz tudo num fôlego só. Sentado como expectador, Jorge ouve e lamenta, pede desculpas e chora a menina que desejou há 13 anos e que hoje é uma senhora.
Oriente
Oriente
Meus fios precisam de paralelas. Ando sob elas cheia de plumas, vestida de pássaro. Amo em pequenas bicadas. Bico com fervor como se meu plano de retas tivesse um fim. O da folha que cumpre sua trajetória e cai entre outras e tantas folhas no campo e é ventada.
Pássaros balançaram por horas a cortina esta tarde. Em um determinado momento, entreolharam-se e voaram sentido leste carregando nos bicos migalhas e meus fios. Levaram-nos para o mar que cura os doentes das aldeias no interior da África ao som do drumbass.
Os fios voltarão adormecidos em caixinhas chinesas de porcelana nas quais mulheres de aldeias milenares guardam seus segredos. Dentro, linhas de ouro e um amor profundo banhado de sal.
Meus fios precisam de paralelas. Ando sob elas cheia de plumas, vestida de pássaro. Amo em pequenas bicadas. Bico com fervor como se meu plano de retas tivesse um fim. O da folha que cumpre sua trajetória e cai entre outras e tantas folhas no campo e é ventada.
Pássaros balançaram por horas a cortina esta tarde. Em um determinado momento, entreolharam-se e voaram sentido leste carregando nos bicos migalhas e meus fios. Levaram-nos para o mar que cura os doentes das aldeias no interior da África ao som do drumbass.
Os fios voltarão adormecidos em caixinhas chinesas de porcelana nas quais mulheres de aldeias milenares guardam seus segredos. Dentro, linhas de ouro e um amor profundo banhado de sal.
Segunda-feira, Março 8
Vem catarse por aí - Ivana Arruda lança novo livro
Queridos amigos, Ivana Arruda é destas GRANDES escritoras brasileiras e tenho certeza de que seu novo livro "Alameda Santos" é, como foi pra mim sua estréia com "Falo de Mulher", uma catarse. O lançamento é hoje na Livraria da Vila a partir das 19h30 e, após às 21h, na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena. Salve Ivana!
Terça-feira, Março 2
Terceiro CD gestando
Queridos amigos, comecei a pré-produção do terceiro CD e este movimento me deixa muito feliz. É como trocar de pele, receber vento leve no rosto, envelhecer um pouco mais, saber melhor de você, viajar longe com a música como companheira. Gosto sempre de conceber os "filhos" dentro de casa. Foi assim com "O samba é meu dom" e "Quando o céu clarear". Será assim com o terceiro cujo nome de batismo ainda não se revelou. Estamos há dois dias "confinados", unindo forças, pensamentos, corações, impressões e tudo o que uma cria precisa para nascer. Entre um café e outro, uma torta de beringela ou um pernil assado ao final de cada dia, a gente vai se emocionando com a forma que "as crianças" vão ganhando. Eu vou descobrindo a melhor forma de "cobrir" cada nota que o compositor se inspirou e expiro feliz a cada acorde de violão e cavaco.
É como a "dona aranha" fazendo sua teia...
É como a "dona aranha" fazendo sua teia...
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